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Dica de poupança 8 de 2020: não caia na falácia dos custos irrecuperáveis

  • Joanna Cruz
  • 27 de jan. de 2020
  • 2 min de leitura

Porque escolhemos mal?

Suponha que sai de casa para comprar leite. A meio do caminho, lembra-se que é Domingo e que a loja está fechada. No entanto continua como já andou metade do caminho, decide ir na mesma até à loja!

A menos que o seu objetivo seja fazer exercício, esta forma de pensar é claramente estúpida. Curiosamente, este padrão cognitivo ilógico é comum em tomadas de decisão - muitas vezes, envolvendo escolhas com riscos bastante significativos.

No caso de um jogador de pôquer, seria o mesmo que tentar recuperar as perdas de rodadas anteriores. O que os economistas chamam de falácia dos custos irrecuperáveis (sunk cost, em inglês). E é um comportamento generalizado.

Todos nós fazemos isso. Quer um exemplo que já lhe atravessou a mente? Nunca pensou: "já gastei muito dinheiro com meu carro / frigorifico. Não posso simplesmente desfazer-me dele agora. O melhor é fazer esta ". Há também aqueles que permanecem em relacionamentos fracassados por anos a fio porque não querem que o tempo que passaram juntos tenha sido "em vão".

O que liga estes vários exemplos é a utilização de recursos (tempo ou dinheiro), à espera que a situação melhore, quando não há bons motivos para acreditar nisso.

Em outras palavras, as pessoas são relutantes em aceitar perdas. O que impulsiona isso é o otimismo - de que, contra todas as probabilidades, a situação vai melhorar - e a aversão ao fracasso.


Impacto da falácia dos custos irrecuperáveis

Nas empresas as consequências de se agarrarem a custos irrecuperáveis podem ser catastróficas. Um exemplo: adiar a demissão de um funcionário em que se investiu bastante na formação, embora estivesse claro desde o início que ele nunca corresponderia às expectativas.

O pensamento do "custo irrecuperável" explica por que as empresas recorrem a uma nova gestão ou contratam consultores na fase de declínio de um projeto. Segundo, Daniel Kahneman, não é necessariamente porque eles são mais competentes do que os gestores originais - mas porque os recém-chegados não carregam nenhuma bagagem política, consequentemente para eles é fácil aceitar derrotas e seguir em frente.

A armadilha dos custos irrecuperáveis leva a escolhas erradas da ordem de milhões, mas também impacta nas suas finanças pessoais – como vimos há quem desperdice dinheiro usando as economias desnecessariamente, por exemplo, concertando  o automóvel que nunca vai dar outra coisa a não ser problemas.


Estratégia para não cometer escolhas financeiras erradas

A estratégia de fuga a esta tendência consiste em perguntar-se sistematicamente se deve ou não dar continuidade a uma ação em andamento, isto é, o que ganha ou perde se mantiver uma decisão, e o que ganha ou perde se mudar de rumo. Outra forma é refletir sobre todo o processo de escolha, se eu pudesse fazer a mesma escolha novamente, tomaria a mesma decisão? Se não, por que não?"

Existem muitas boas razões para continuar a investir e ir até ao fim de alguma coisa. Mas existe uma razão má: levar em conta o que já foi investido. Decidir racionalmente significa ignorar os custos acumulados. Pouco importa o que já investiu, a única coisa que conta é o agora e sua estimativa do futuro.

Lembre-se “Desistir de gastar, não é desistir sonhar.”




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